Volume
Rádio Offline
Redes
Sociais
B
Retirados controladores de velocidade ao longo da BR 392
18/03/2019 10:29 em Novidades

O contrato de aluguel dos controladores de velocidade nas rodovias federais do Rio Grande do Sul, renovado quatro vezes e que vigorava desde 2010, chegou ao fim no dia 14 de janeiro e não foi renovado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

A autarquia determinou que os pardais e lombadas eletrônicas fossem retirados até o dia 13 de fevereiro. A empresa gaúcha Kopp Tecnologia era a responsável pelos equipamentos antigos e já realizou a remoção dos aparelhos.

NA BR 392

Na rodovia BR 392, em nossa região, foram retiradas três "lombadas eletrônicas", uma em Guarani das Missões e duas em Cerro Largo, sendo uma antes do trevo do Fritz e da Frida (no sentido Cerro Largo / Guarani das Missões) e uma na reta onde há o acesso à Linha Santo Antônio.

Nestes três locais, antes da instalação dos controladores eram registrados muitos acidentes de trânsito, inclusive com vítimas fatais, número que caiu sensivelmente após a instalação dos equipamentos, que força os motoristas a reduzirem a velocidade.

NOVOS CONTROLADORES

Os novos controladores de velocidade já estão sendo reinstalados pela empresa Fotosensores Tecnologia Eletrônica, do Ceará, vencedora da licitação concluída há um ano. Serão cinco anos do novo contrato ao custo de R$ 83,8 milhões. Metade dos controladores terá sistema com identificação das placas de todos os veículos, mesmo daqueles que não passarem acima da velocidade.

Porém, em três rodovias federais gaúchas, os pardais e lombadas eletrônicas não retornarão: BR-101, Rodovia do Parque e BR-386. Pelo menos, por enquanto. Estas três rodovias, junto com a freeway, passarão para a administração do grupo CCR. Os controladores previstos em edital para serem instalados nestas rodovias serão encaminhados para outras. "O Dnit não pode custear estrutura que está prevista no edital do leilão e que será custeada pela tarifa do pedágio", informa o superintendente do Dnit no Rio Grande do Sul, Allan Magalhães Machado.

Caberá ao grupo CCR fazer a compra e instalação dos novos controladores, como consta no contrato. Porém, a empresa informa que só irá encaminhar a colocação dos pardais e lombadas a partir do dia 14 de fevereiro. Também informa que irá consultar a Polícia Rodoviária Federal (PRF) para saber quantos serão adquiridos e onde eles devem ser instalados.

PREOCUPAÇÃO

A falta de fiscalização por pardais e lombadas eletrônicas nas rodovias federais do Rio Grande do Sul preocupa especialistas em trânsito. Segundo eles, a situação tende a aumentar os riscos aos motoristas. O sociólogo e consultor em segurança no trânsito, Eduardo Biavati classifica a falta de fiscalização eletrônica como grave. "Esta é uma situação que se repete em vários Estados, não só no Rio Grande do Sul. É inexplicável. O Dnit tem conhecimento das datas de vencimento dos contratos. Sem equipamentos eletrônicos, não há como controlar totalmente os motoristas nas estradas. Em parte, mortes em acidentes de trânsito estão relacionadas a excesso de velocidade", disse.

Doutor em Transportes, o engenheiro civil João Fortini Albano afirma que a fiscalização eletrônica é "uma das maiores ferramentas" para "coibir" infrações nas rodovias. Por isso, considera que a situação nas estradas federais "vai contra a segurança no trânsito e estimula velocidade maior e ultrapassagens indevidas". "Quando os motoristas sabem que os equipamentos estão funcionando, sentem-se mais inibidos. Sem esses dispositivos, ficam mais soltos", aponta.

Para Albano, o uso de radares móveis pode "minimizar" a falta de lombadas e pardais em operação no Rio Grande do Sul. Neste momento, infrações cometidas nos trechos de responsabilidade do Dnit no Estado só recebem fiscalização feita pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), com seus equipamentos de controle. "Radares móveis não resolvem o problema. São complementares a controladores fixos", pondera Biavati.

COMPORTAMENTO DOS MOTORISTAS

De acordo com a PRF, é difícil mensurar o quanto o não funcionamento dos equipamentos impacta no comportamento dos motoristas. Segundo a corporação, não há estudos que avaliem a situação. Contudo, a PRF ressalta que segue com equipes em rodovias, para fiscalização com equipamentos móveis. "As equipes são empregadas buscando coibir condutas associadas a acidentes, como beber e dirigir e alta velocidade", afirma Cássio Garcez, do setor de Comunicação Social da PRF.

A corporação aponta que, mesmo com os radares e lombadas eletrônicas desativados, motoristas devem manter atenção. Em locais considerados críticos, ou seja, com alta taxa de acidentes ou onde há passagem de pedestres, a PRF costuma intensificar as rondas, principalmente em períodos de trânsito intenso, como finais de semana e feriadões. "Trabalhamos permanentemente com radares eletrônicos. Mas, em datas como feriados, é feita uma programação específica, com aumento do efetivo, pois há fluxo de veículos acima da média", diz Garcez.

FATORES DE RISCO

Em nota, o Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Sul (Detran-RS) relatou que o "excesso de velocidade é um dos maiores fatores que potencializam o risco dos acidentes e também os danos por eles causados, especialmente nas rodovias".

"O Detran-RS entende que a escolha em não exceder os limites de velocidade, pelo motorista, precisa se dar em razão disso, e não porque existe (ou não) pardal ou lombada eletrônica operante na via", completa o texto.

Fonte: Luís Henrique Franqui
COMENTÁRIOS